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Conspiração Filmes • Columbia Tristar Filmes do Brasil Globo Filmes • ZCL Produções Artísticas apresentam
Uma produção Conspiração Filmes
Um filme de Breno Silveira
Trilha Sonora Zezé Di Camargo Caetano Veloso
Brasil • Drama • 2005 Cor • Super 35mm • 119’
Distribuição Brasil e América Latina Sony Pictures Releasing International
ELENCO
Ângelo Antônio ....................................................................... Francisco
Dira Paes .................................................................................... Helena
Márcio Kieling.................................................. Mirosmar (Zezé Di Camargo)
Thiago Mendonça ......................................................... Welson (Luciano)
Paloma Duarte................................................................................ Zilu
Jackson Antunes .................................................................... Zé do Fole
Natália Lage ................................................................................ Cleide
APRESENTANDO
Dablio Moreira ................................................ Mirosmar (Zezé Di Camargo)
Marcos Henrique ......................................................................... Emival
Wigor Lima.................................................................... Welson (Luciano)
ATORES CONVIDADOS
José Dumont ............................................................................. Miranda
Lima Duarte ............................................................................. Benedito
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
Zezé Di Camargo e Luciano................................ Zezé Di Camargo e Luciano
Pedro e Thiago............................................................ Leandro e Leonardo
FICHA TÉCNICADireção..................................................................................................... Breno Silveira Produzido por .................................................................................... Luciano Camargo ........................................................................................ Leonardo Monteiro de Barros ................................................................................................................. Luiz Noronha ........................................................................................... Pedro Buarque de Hollanda ........................................................................................................... Pedro Guimarães ........................................................................................................... Rommel Marques ......................................................................................................... Emanoel Camargo ................................................................................................................. Breno Silveira Produtor Associado...................................................................................... Daniel Filho Produtora Associada................................................................................ Paula Lavigne Roteiro................................................................... Patrícia Andrade e Carolina Kotscho Colaboração de Roteiro ..................................................................... Luciano Camargo ..................................................................................................... Domingos de Oliveira ................................................................................................................. Breno Silveira Direção de Fotografia............................................ André Horta e Paulo Souza (Paulão) Montagem............................................................................................ Vicente Kubrusly Produção Executiva........................................................................ Marcos “Tim” França Produtora Delegada ............................................................................... Cláudia Braga Direção de Produção.................................................................. Luiz Henrique Fonseca Direção de Arte............................................................................................. Kiti Duarte Figurinos................................................................................................. Cláudia Kopke Maquiagem.................................................................................... Martín Macías Trujillo Som Direto..................................................................... Valéria Ferro e Renato Calaça Edição de Som.................................................................................. Alessandro Laroca Mixagem........................................................................................... Armando Torres Jr. Trilha sonora ......................................................... Caetano Veloso e Zezé Di Camargo Produção de Trilha Sonora...................................................................... Berna Ceppas ............................................................................................................... César Augusto ............................................................................................................... Moreno Veloso Música Incidental............................................................... Berna Ceppas e Jaime Allem Preparação do Elenco.................................................................................. Lais Corrêa Produção de Elenco................................................................................... Ciça Castello Empresas Produtoras............................................................. ZCL Produções Artísticas ........................................................................................................ Conspiração Filmes Empresas Co-produtoras............................................ Columbia TriStar Filmes do Brasil .................................................................................................................. Globo Filmes DEPOIMENTOS SOBRE O FILME
“Um filmaço! Os ambientes, os personagens, a narrativa; tudo envolve e flui com naturalidade. (...) Entendi, aprendi e me emocionei, além do meu gosto pessoal. Pelo drama universal. Torci por eles, chorei com eles, venci com eles” - Nelson Motta, produtor musical e escritor
“É um filme lindo, sobretudo, muito sincero. Me emocionou e vai emocionar qualquer um, até quem não gosta de música sertaneja” - Cacá Diegues, cineasta
“O filme mais sensível, mais envolvente, mais brasileiro, possivelmente, que já vi em minha vida. Uma obra-prima” - Vicente Amorim, cineasta
“Adorei o filme. Ele tem uma verdade, uma força, uma dramaticidade, uma alegria. É uma obrigação de todos assistirem a este filme” - Roberto Faria, cineasta
“Todos os brasileiros deveriam assistir a este filme. É uma verdadeira aula de brasilidade” - Luiz Carlos Barreto, cineasta
“Quando terminei de assistir ao filme poderia ficar mais duas horas sentada ali chorando” - Regina Casé, atriz e diretora
“Estou trêmula. É um filme honesto de amor e de sonho, abençoado, que deu certo” - Maitê Proença, atriz APRESENTAÇÃO
No dia 19 de agosto de 2005, entra em cartaz em todo o Brasil o filme 2 Filhos de Francisco – A História de Zezé Di Camargo & Luciano. Primeiro longa-metragem do diretor Breno Silveira, o filme gira em torno da família do lavrador Francisco, que sonhava transformar dois de seus nove filhos em uma famosa dupla sertaneja. É um drama brasileiro, e ao mesmo tempo universal, que narra a emocionante trajetória de Zezé Di Camargo e Luciano - a dupla musical que já vendeu mais de 22 milhões de discos - da infância pobre até o sucesso com a música “É o Amor”.
Junto com o filme será lançada também a trilha sonora em CD contendo clássicos sertanejos, a música “Como vai Você” de Antonio Marcos e sucessos de Zezé Di Camargo e Luciano cantados, entre outros, por Caetano Veloso, Maria Bethânia, Nando Reis, Ney Matogrosso, Chitãozinho e Xororó, Wanessa Camargo e pela própria dupla.
“Pela força e beleza dessa história, percebi que o filme tinha apenas um caminho a seguir: ser um filme sensível, sincero e muito brasileiro”, afirma o diretor.
Rodado durante os meses de maio e junho de 2004 em Pirenópolis, Goiás, além de duas semanas no Rio de Janeiro e em São Paulo, 2 Filhos de Francisco é estrelado por Ângelo Antônio (Francisco, pai de Zezé Di Camargo e Luciano), Dira Paes (Helena, mãe da dupla), Lima Duarte (Benedito, pai de Helena), José Dumont (o empresário Miranda), Márcio Kieling (Mirosmar/Zezé Di Camargo), Thiago Mendonça (Welson/Luciano), Paloma Duarte (Zilu, esposa de Zezé), Natália Lage (Cleide), Jackson Antunes (Zé do Fole) e apresenta Dablio Moreira, Marco Henrique e Wigor Lima, nos papéis de Mirosmar (Zezé) criança e seus irmãos Emival e Welson (Luciano) criança, respectivamente.
O orçamento de produção de 2 Filhos de Francisco é de R$ 6,3 milhões. Os recursos financeiros foram provenientes de incentivos fiscais federais obtidos através das Leis Federais 8.685/91 (Lei do Audiovisual, artigos 1º e 3º), 8.313/91 (Lei de Incentivo à Cultura / Lei Rouanet); das leis de incentivo fiscais estaduais do ICMS-RJ e ICMS-GO (Lei Goyazes); de recursos privados aportados diretamente pela empresa Nissan e, também, de recursos privados próprios da ZCL Produções, Conspiração Filmes e das empresas co-produtoras: Columbia TriStar Filmes do Brasil e Globo Filmes.
Banco Bradesco e MRS Logística são as empresas patrocinadoras principais de 2 Filhos de Francisco, que conta também com os patrocínios de Texaco, CELG, Marabraz e Brasif. O filme recebeu ainda o apoio cultural de Quanta Centro de Produções.
A história da dupla Zezé Di Camargo & Luciano, que já vendeu mais de 22 milhões de discos: da vida simples no interior de Goiás ao sucesso com “É o Amor”, o filme retrata a trajetória de um pai e seu sonho de transformar dois de seus nove filhos em uma famosa dupla sertaneja.SINOPSE
Francisco, lavrador do interior de Goiás, tem um sonho aparentemente impossível: transformar dois de seus nove filhos numa famosa dupla sertaneja. Morando numa casinha de adobe, em meio ao nada e horas distante do vilarejo mais próximo, ele não mede esforços neste caminho.
Deposita sua esperança no primogênito Mirosmar ao dar-lhe um acordeão quando o menino tinha apenas 11 anos. Mirosmar e o irmão Emival, que ganhara um violão, começam a se apresentar com sucesso nas festas da vila até que, no início da década de 70, às voltas com a perda da propriedade, toda a família se muda para Goiânia e vive um momento de enorme dificuldade.
Para ajudar nas despesas, os meninos tocam na rodoviária, onde conhecem Miranda, empresário de duplas caipiras, com quem desaparecem por mais de quatro meses. Os meninos fazem sucesso e chegam a cantar para 6 mil pessoas no interior do Brasil quando um acidente interrompe dramaticamente a carreira da dupla.
Depois de quase desistir, Mirosmar volta a cantar, vira Zezé Di Camargo e grava sem sucesso um disco solo em São Paulo. Já casado e com duas filhas pequenas, Zezé mal consegue sustentar a família. Suas músicas são gravadas e fazem sucesso na boca de outras duplas, como Leandro & Leonardo, mas Zezé não se conforma em ser apenas compositor e pensa em desistir: É neste momento que encontra no irmão Welson (Luciano), 11 anos mais novo, o parceiro perfeito para concretizar a profecia de seu pai.
Em 1990 Zezé Di Camargo e Luciano gravam e lançam um disco com a música “É o Amor”, composta por Zezé. Com a ajuda do pai, os filhos de Francisco conquistam as rádios e vendem um milhão de discos.
SOBRE O ROTEIRO
“A nossa vida dá um filme”, garantiam Zezé Di Camargo e Luciano aos diretores-gerais da Columbia Tristar Buena Vista do Brasil e Sony Pictures Home Entertainment, Rodrigo Saturnino Braga e Wilson Cabral, respectivamente, convictos de que a sua história merecia ser projetada nas telas de cinema. Em agosto de 2002, a distribuidora entrou em contato com a produtora Conspiração Filmes, que logo enviou a jornalista Patrícia Andrade a São Paulo e Goiás para ouvir o que Zezé Di Camargo e Luciano e os demais membros de sua família tinham a contar. A documentarista Carolina Kotscho a acompanhou na viagem. Resultado: Patrícia e Carolina, que jamais haviam escrito um roteiro, em pouco tempo já esboçavam as primeiras linhas de 2 Filhos de Francisco – A História de Zezé Di Camargo & Luciano.
“Fui entrevistá-los despretensiosamente e fiquei absolutamente encantada com a história. Não esperava que fosse tão bonita, tão emocionante, tão forte, tão rica”, lembra Patrícia. “Eu fui ao encontro por acaso e tive uma surpresa maravilhosa. A vida deles era um filme praticamente pronto”, completa Carolina.
Quando tomou conhecimento da biografia da dupla, o diretor Breno Silveira não teve dúvida de que aquele seria seu primeiro longa-metragem: “Eu quero este filme”, exclamou na ocasião. “Percebi que se tratava de um drama humano maravilhoso, universal. Tinha amor, comédia, tragédia, drama familiar e final feliz. Enfim, todos os desenhos cinematográficos que um bom filme deve ter”, recorda o diretor.
“O Breno trabalhou incansavelmente no roteiro. Pesquisava o tempo inteiro. Ele entrou com uma paixão no projeto que contaminou todo mundo”, afirma Patrícia.
A partir daí, deu-se início a um trabalho de pesquisa ainda mais minucioso, com o intuito de captar a individualidade de cada personagem e de dar consistência e veracidade ao roteiro. Além das pessoas diretamente envolvidas na história, foram ouvidos também amigos da família e alguns habitantes mais velhos de Pirenópolis, Goiás, cidade natal da dupla.
“À medida que fomos avançando no trabalho de pesquisa, percebemos que o fio condutor da história era o sonho de Seu Francisco: um homem que, no meio do nada, resolveu que teria dois filhos homens e que eles seriam músicos. E ele não tinha sequer um instrumento, apenas um rádio. Enfiou um sonho na cabeça e conseguiu transformar dois de seus filhos em grandes nomes da música popular brasileira”, ilustra Patrícia Andrade.
Além da ajuda de Breno Silveira, as roteiristas contaram com outras duas valiosas contribuições. Enquanto Luciano Camargo, um aficionado por cinema, era a ponte direta entre o roteiro e os personagens, o dramaturgo e diretor Domingos de Oliveira recebia os tratamentos e fazia suas observações.
“O Luciano tem uma memória incrível. Era ele quem levantava as histórias e juntava a família. E era muito importante que a vida desta família fosse respeitada”, avalia Carolina. “O Domingos de Oliveira teve uma participação inestimável. Ele não só colaborou no roteiro, como me deu preciosas dicas de dramaturgia”, conta o diretor.
O filme é repleto de cenas que, à primeira vista, parecem inventadas, exageradas. No entanto, os episódios mais improváveis aconteceram de verdade.
“É impressionante como a realidade dá um baile na ficção”, avalia Breno.
As roteiristas tinham como premissa retratar a história da família Camargo fielmente. Porém, escrever um enredo de 40 anos em duas horas de filme exigia que alguns fatos fossem adaptados e/ou condensados.
“O cinema superdimensiona cada olhar, cada frase. Em algumas situações, tivemos que transformar duas ou mais pessoas que existiram em uma só, misturando suas características”, explica Carolina.
O roteiro de 2 Filhos de Francisco recebeu, na verdade, seu último tratamento apenas durante as filmagens, após três anos de trabalho. As freqüentes visitas dos familiares da dupla ao set, além dos depoimentos de habitantes da região, provocaram a alteração de diversas cenas.
“O roteiro era vivo. Quando os personagens apareciam nas locações, eles sempre se lembravam de um acontecimento, de uma frase. Mudávamos diversos diálogos na hora”, ressalta Breno, que exigia a presença de pelo menos uma das roteiristas no set. “A família sempre foi muito solícita. Eles sempre acrescentavam boas novidades para o filme”, complementa Patrícia.
SOBRE O ELENCO
Um dos pontos que mais chama a atenção em 2 Filhos de Francisco é a semelhança do elenco com os personagens reais da história. O primeiro critério de seleção do diretor Breno Silveira foi justamente convidar atores que tivessem fisionomias adequadas aos papéis que interpretariam. Segundo ele, “por ser uma biografia, com pessoas públicas e vivas, isto era importante para tornar o filme ainda mais crível”.
A idéia de chamar Ângelo Antônio surgiu quando Breno o viu na televisão e o achou extremamente parecido com Francisco. Mas a identificação do ator com o personagem era maior do que a similaridade na aparência.
“Percebi que eu tinha muito a ver com o Francisco. É um homem visionário, corajoso e perseverante, que tem uma afinidade enorme com o campo e com a terra. É um dos melhores trabalhos que já fiz”, conta Ângelo, natural de Curvelo, cidade do interior de Minas Gerais.
O ator teve ainda uma parcela de responsabilidade na indicação de Dira Paes para o papel de Helena, sua companheira no filme.
“O Ângelo me contou que havia feito uma leitura com o Breno e tinha pensado muito em mim para interpretar a Helena. Em seguida fui chamada para fazer uma leitura e o Breno me deu o papel”, recorda a atriz cuja maior motivação foi “interpretar, ao longo de 40 anos, uma mãe sábia, forte e intuitiva, que aos 33 anos de idade já tinha nove crianças”.
“A Helena tem um papel muito importante na história. Ela é o contraponto daquele sonhador”, avalia Dira.
Depois de uma longa e criteriosa seleção, com diversos concorrentes, foram escolhidos os atores que interpretariam as crianças da família Camargo. Breno Silveira sabia que não conseguiria, a princípio, encontrar garotos que atuassem, tocassem e cantassem com a mesma desenvoltura nos três quesitos. Por isso, na busca pela autenticidade, selecionou crianças de Goiânia e adjacências, dando prioridade aos que tinham afinidade musical.
“Eles já tinham a essência dos personagens. Além dos garotos de Goiás, vinham muitos de São Paulo, Rio e Brasília. Percebemos que os da região encaravam a câmera com mais inocência e sinceridade, enquanto os das grandes cidades eram mais extrovertidos. Por mais que estes fossem bons atores, teriam que aprender um outro personagem”, explica.
Para os papéis de Mirosmar e Emival, o diretor escolheu, respectivamente, Dablio Moreira (16) e Marcos Henrique (12). Cada um tinha uma dupla sertaneja mirim, mas atuar era uma experiência completamente nova para ambos.
“Eu nunca pensei em ser ator. Eu sempre quis cantar e foi por isso que fui chamado. Nunca fiz teatro ou nada assim, mas gostei muito da experiência. E se surgir outra oportunidade, quem sabe?”, indaga Dablio. “A timidez dele e o olhar eram uma virtude para o personagem”, enaltece Breno.
Wigor Lima completa o elenco infantil principal, interpretando Welson (Luciano). A excelente atuação das crianças se deve em grande parte à preparadora de elenco Lais Corrêa, que trabalhou com elas todos os dias durante os dois meses que antecederam as filmagens e no próprio set.
“Essas crianças foram um presente para mim. Ensinava a eles, por exemplo, que não precisavam sorrir com os lábios, mas com os olhos; não precisavam falar com a palavra, mas com o gesto e o olhar também”, revela Lais. “Ela leu e releu o texto com a gente várias vezes. Quando chegamos ao set não sentimos tanta dificuldade”, conta Dablio.
O fato de trabalhar com atores mais experientes também ajudou as crianças durante o filme.
“Ângelo é um excelente ator e a Dira uma grande atriz. Eles passavam uma segurança muito grande para a gente no set”, afirma Dablio.
Outra estratégia usada pela preparadora de elenco foi fazer com que os atores se dirigissem uns aos outros apenas pelos nomes dos personagens.
“De tanto chamar a Dira Paes de mãe, o Ângelo Antônio de pai e o Dablio de Mirosmar, até me acostumei. Ficava pensando que eles eram realmente a minha família”, afirma Marcos Henrique.
“Inicialmente fiquei preocupado com o modo como os garotos se portariam no set de filmagem. Mas eles sempre impressionavam a gente. É incrível como não tive que repetir nenhuma cena com os meninos. Eles estavam 100% dentro do personagem. A verdade deles contagiou o set. Bastava dizer ‘ação’ que eles já estavam prontos”, lembra o diretor.
Na segunda etapa do filme, Márcio Kieling e Thiago Mendonça representam, respectivamente, Zezé Di Camargo e Luciano, e Paloma Duarte interpreta Zilu, mulher de Zezé. 2 Filhos de Francisco marca a estréia de Thiago em cinema e o primeiro papel importante de Márcio num longa-metragem.
“Apostei nestes dois jovens atores porque sabia que valia a pena. Além de serem muito parecidos com os personagens, eles queriam muito fazer o filme. Fomos recompensados com muito empenho e concentração da parte deles, que se saíram ótimos”, elogia o diretor. “A escolha da Paloma Duarte para o papel da Zilu foi, de cara, um consenso. As mulheres do filme são muito fortes. Assim como a Helena com o Francisco, a Zilu segurou a barra da dupla, apoiando e incentivando o Zezé em todos os momentos difíceis. A Zilu aparenta ser uma menina tímida no início, mas mostra a sua força no decorrer da história. A Paloma soube traduzir isto muito bem”, continua.
“Minha formação e minha carreira de ator era totalmente voltada ao teatro. Tive muita sorte de estrear em um papel tão importante”, conta Thiago Mendonça.
Os laboratórios foram fundamentais para os atores entrarem em contato com a realidade em que viviam os Camargo. Márcio Kieling, por exemplo, ficou hospedado durante cinco dias com uma família em Sítio Novo, para absorver os hábitos, a forma de vida e o sotaque daquelas pessoas.
“Eles viviam na mesma condição que a família do Zezé naquela época. Não tinham televisão, não tinham luz, não tinham luxo. Ia dormir às 7h da noite e acordava às 5h da manhã todos os dias”, revela Márcio.
Como o longa-metragem seria filmado em duas fases (da infância até a consagração da dupla), ao longo de 40 anos, alcançar uma uniformidade entre o elenco mirim, o elenco adulto e os personagens vivos da história foi um dos principais desafios.
“Eu tinha muito medo de que as duas épocas não se emendassem. Por isso, era importante que os atores adultos observassem o jeito das crianças”, explica Breno. “Observei muito o trabalho do Dablio. Tentei capturar a essência da personalidade dele. O jeito quieto, o olhar e a forma em que encarava as coisas foram fundamentais para a continuação do personagem”, explica Marcio.
Segundo o diretor, “as participações especiais vieram como presentes”. Entre elas estão os consagrados Lima Duarte, interpretando Benedito (pai de Helena e avô materno da dupla) e José Dumont, no papel do empresário Miranda; Jackson Antunes, no papel do sanfoneiro Zé do Fole; e Natália Lage, representando Cleide, o primeiro amor de Luciano.
“Fiz questão de entrar no projeto por ele ser tão ambicioso, tão bonito. A participação é especial, mas é muito profunda e efetiva também”, exalta Lima Duarte. “O Lima já fez esse personagem diversas vezes. O mais impressionante é que ele sempre consegue fazer de forma diferente, sutil e brilhante”, exalta Breno.
“Nunca li um roteiro que tenha me emocionado tanto. É a síntese de muitos artistas brasileiros que lutam pelo reconhecimento. É parecida com a minha história e a de muita gente”, analisa José Dumont. “O Miranda, apesar de toda sua maldade, é muito carismático. O José Dumont conseguiu fazer deste vilão um sujeito encantador. A cena dele na churrascaria da parada de ônibus é antológica. É uma das melhores do filme”, avalia o diretor.
“A minha cena é de um lirismo, de uma poesia... Sanfoneiro tem fama de durão e por trás desse sanfoneiro tem uma pessoa boa. Chega aquele menino, com o instrumento pesando mais do que ele. O sanfoneiro fica sensibilizado e se oferece a ensiná-lo os primeiro acordes”, analisa Jackson Antunes. “Ele chegou tão dentro do personagem que fiquei espantado”, afirma Breno.
NOTAS DE PRODUÇÃO
A primeira grande decisão do diretor Breno Silveira foi resolver onde 2 Filhos de Francisco seria rodado. Existia a opção mais segura de se filmar nos arredores da cidade do Rio de Janeiro – onde fica a sede da Conspiração Filmes –, com parte das cenas feitas em estúdio, e havia a alternativa mais arriscada de se filmar na região em que Zezé Di Camargo deu seus primeiros passos, no povoado de Sítio Novo, no município de Pirenópolis, Goiás.
“O Breno decidiu filmar toda a primeira parte em Pirenópolis pelo compromisso com a vida dos personagens e para preservar a autenticidade do filme”, explica Luiz Noronha, um dos produtores da obra. “A história ganha mais veracidade e a concentração da equipe é maior”, complementa Breno.
Para viabilizar o trabalho de todos os departamentos, a base de produção foi instalada dentro de uma enorme churrascaria abandonada. Uma equipe de aproximadamente 80 pessoas mudou-se para Pirenópolis durante os quatro meses de pré-produção e de filmagem.
“Quando optamos por filmar em Goiás, fomos obrigados a investir em toda uma logística diferente. Praticamente abrimos uma filial da Conspiração Filmes no interior de Goiás. Transformamos o lugar numa sede, onde ficavam os escritórios, as oficinas de figurino e de cenografia e o depósito dos equipamentos”, ilustra Noronha.
Em seu primeiro encontro com Seu Francisco, ainda durante o trabalho de pesquisa, Breno conheceu os lugares onde Zezé Di Camargo desfrutou a maior parte de sua infância. Luciano, que foi ainda recém-nascido para Goiânia, não compartilhou desta fase com o irmão.
“Passeamos de carro pela cidade e o Seu Francisco ia contando a história e apontando o lugar onde as coisas tinham acontecido”, lembra o diretor.
Entre os lugares descobertos pela produção estava a casa onde a família viveu, em Sítio Novo. Como havia uma outra família morando na casa, o departamento de arte do filme, comandado por Kiti Duarte, teve de reconstituí-la com o mesmo desenho, arquitetura e disposição de ambiente que ela tinha há 40 anos.
“Quando encontramos a primeira casa deles, eu tinha certeza que era lá que tínhamos de filmar. Foi bonito o trabalho da produção e da arte de tentar recompor, reorganizar, entender e filmar no mesmo lugar onde a história aconteceu”, conta o diretor.
O evento em que Zezé cantou pela primeira vez em público também foi inteiramente reproduzido no local onde ocorreu, numa praça, em Pirenópolis. Para recompor o cenário e os figurinos fielmente à época, recorreu-se a fotos da família e da cidade naqueles tempos.
“Esse trabalho de arqueologia, digamos assim, de recuperar as locações exatas onde aconteceram os fatos importantes da história está impresso no filme”, afirma Noronha.
Um pequeno casebre na periferia da cidade serviu de cenário para retratar a casa de Francisco e Helena em Goiânia.
“Nesta busca pela legitimidade, a casa foi cenografada em um lugar insalubre com esgoto aberto. Não era um lugar confortável, a casa era apertada... Este desconforto acaba se traduzindo no momento em que a história precisa mostrar aquela família passando por dificuldades”, explica Noronha.
A cena da rodoviária em Goiânia foi uma das mais trabalhosas para o departamento de produção. Tratava-se de um trecho importante no roteiro, pois representava a primeira vez que Mirosmar e Emival ganhariam dinheiro com música. A seqüência, realizada no terminal de ônibus de Anápolis, cidade entre Pirenópolis e Goiânia, levou dois dias inteiros para ser filmada.
“Era uma rodoviária em pleno funcionamento que tinha de ser transformada num ambiente dos anos sessenta, com ônibus e carros de época, além de uma enorme quantidade de figurantes”, afirma Luiz Noronha.
Se filmar numa rodoviária, durante dois dias, por si só já era penoso, receber a visita de Zezé e Luciano tornava a tarefa quase impraticável.
“Era uma cena muito complicada que exigia silêncio e concentração. Por um lado, receber a dupla era uma alegria muito grande para a equipe, mas, por outro, um transtorno gigantesco, porque a população local simplesmente vai à loucura. Tivemos que cercar a área, as pessoas gritavam...”, recorda Noronha. “Foi um dia muito caótico, não conseguia me concentrar. Na hora, achei até que não tinha dado certo. Mas depois que vi a cena montada, fiquei muito emocionado. É uma das minhas preferidas”, revela o diretor.
O filme foi inteiramente montado na casa do diretor, em um processo que durou cinco meses. Segundo o editor Vicente Kubrusly, uma de suas maiores dificuldades foi condensar uma história de 40 anos em duas horas de película.
“Privilegiamos sempre a emoção das cenas e as boas atuações. Tivemos às vezes que tirar pedaços muito legais, pois não cabiam no tempo que a gente tinha para contar a história”, afirma o editor.
A maneira sutil em que os departamentos de arte, figurino, fotografia e caracterização retrataram as diversas passagens de tempo foi, segundo o diretor, um dos fatores decisivos para a legitimidade do filme.
“A Kiti [Duarte, diretora de arte] soube escolher com delicadeza os objetos e cenários que tinham que entrar nas cenas. A Cláudia [Kopke, figurinista] pesquisou e encontrou vários tecidos de diferentes épocas. O Martin [Macías Trujillo, maquiador] conseguiu rejuvenescer e envelhecer a Dira e o Ângelo, por exemplo, com uma sutileza impressionante. Esses pequenos detalhes reforçam, de forma discreta, a veracidade do filme”, analisa.
Um outro fato peculiar aconteceu durante os dias na rodoviária de Anápolis. O plano de filmagem previa uma seqüência com chuva, mas, como era época de seca na região, a cidade não via água há meses.
“Era o único dia que realmente queríamos chuva, por isso, contratamos um técnico de efeitos especiais. Ele montou todo o seu equipamento de chuva artificial, mas não precisou abrir uma torneira. Foi só gritar ‘ação’ para começarem as trovejadas e cair o dilúvio”, recorda Silveira.
Consagrado como fotógrafo de cinema e experiente diretor em publicidade, Breno jamais havia dirigido um longa-metragem. E quando já estava tudo preparado para sua estréia, na véspera do primeiro dia de filmagem, ele sofreu um acidente inesperado: quebrou o braço ao cair do cavalo que seria montado por Ângelo Antônio no filme. Mesmo sentindo dor, o diretor fez questão de filmar na data prevista, apesar dos apelos da equipe.
“Eu não queria atrasar a filmagem de jeito nenhum. Com o braço quebrado não podia pensar em outra coisa senão dirigir. O André Horta [diretor de fotografia] até brincou com a situação. Ele me disse: ‘pelo menos assim você não vai me importunar com a câmera’”, atesta.
A relação de Breno Silveira com o departamento de fotografia de 2 Filhos de Francisco foi bastante curiosa. Seu grande medo era de o efeito estético sobressair mais do que a dramaturgia.
“Me reuni com os diretores de fotografia [Paulo Souza e André Horta] e expliquei que não queria que a fotografia sobrasse na tela. Partindo de mim, eu nunca faria um filme feio, mas minha intenção foi realmente trabalhar com a dramaturgia, de dar uma distância da parte estética. Apesar disso tudo, a fotografia é linda porque as pessoas que trabalharam comigo são muito talentosas. Ela está em total harmonia com o filme”, esclarece.
Em seus tempos de fotógrafo, Breno confessadamente se intrometia um pouco no trabalho dos diretores com os quais trabalhava. Embora estivesse um pouco inseguro quanto à direção de seu primeiro longa-metragem, a resposta dos atores no set provou que ele estava no caminho certo.
“Eu parti para Pirenópolis com um saco de fitas de vídeo e alguns conselhos do Domingos de Oliveira sobre interpretação, achando que eu ia me estrepar. Mas de tanto ter vivido em set, de ficar observando o trabalho dos atores, percebi que aquilo já estava em mim e eu não sabia. O que era o meu maior temor tornou-se meu maior prazer quando vi que estava conseguindo me comunicar com eles”, conta. “O cinema perdeu um excelente diretor de fotografia, mas ganhou um grande diretor de ator”, aprova a atriz Dira Paes.
O resultado final é louvado pelos produtores: “Este filme é muito relevante para o Brasil: é a história de uma família de brasileiros que conseguiu vencer com o próprio trabalho”, avalia Pedro Buarque de Hollanda. Para Leonardo Monteiro de Barros, “o grande mérito deste filme é contar uma história brasileira tão forte, verdadeira e profunda de uma maneira tão comovente”. “É um dos poucos projetos de cinema no Brasil que apenas com seis patrocinadores conseguiu se financiar inteiramente”, completa Pedro Guimarães.
SOBRE A TRILHA SONORA
“Todas as pessoas que apostaram e participaram do projeto, contribuíram decisiva e carinhosamente para a realização deste filme. É um filme que foi agregando pessoas”, conta o diretor Breno Silveira.
Com a trilha sonora não foi diferente. Zezé Di Camargo já trabalhava na escolha das músicas quando Caetano Veloso, que acabara de assistir a uma projeção do filme ainda em processo de montagem, se ofereceu para entrar no projeto.
“O Caetano viu o filme através da Paula Lavigne e entrou para fazer a trilha. A parceria dele com o Zezé na autoria da trilha sonora foi mais um presente maravilhoso que recebemos”, conclui Breno Silveira.
A trilha sonora do filme tem a particularidade de reunir artistas de diferentes segmentos que dificilmente estariam juntos num mesmo projeto musical. O longa-metragem é permeado com diversas participações, como a de Maria Bethânia e de Zezé Di Camargo e Luciano, em versões do sucesso É o Amor; de Caetano e Maria Bethânia juntos em Tristeza do Jeca; de Ney Matogrosso interpretando Calix Bento; De Chitãozinho e Xororó cantando a clássica Luar do Sertão com Zezé e Luciano; e de uma parceria de Nando Reis e Wanessa Camargo em O Lavrador. Além do repertório da dupla, o filme contém canções sertanejas tradicionais e a música de Antônio Marcos Como Vai Você, que em nova mixagem conta com as vozes da dupla e do cantor original.
O CD com 14 músicas da trilha sonora do filme, foi produzido pela ZCL em parceria com a Natasha e será distribuido pela Sony-BMG Music Entertainment.
SOBRE O DIRETOR
Sócio da Conspiração Filmes desde 1996, Breno Silveira lança, em agosto de 2005, seu primeiro longa-metragem, 2 Filhos de Francisco – A História de Zezé Di Camargo & Luciano.
Formado em Fotografia de Cinema pela École Louis Lumiére Vaugirard, de Paris, Breno já assinou a fotografia de mais de dez longas-metragens, incluindo Carlota Joaquina (de Carla Camurati), Gêmeas e Eu Tu Eles (ambos de Andrucha Waddington), Bufo & Spallanzani (de Flávio R. Tambellini) e O Homem do Ano (de José Henrique Fonseca). Ele começou sua carreira em cinema filmando documentários, como Santa Marta - Duas Semanas no Morro e Boca de Lixo, ambos do diretor Eduardo Coutinho.
Em TV dirigiu especiais musicais e diversos videoclipes, que lhe renderam mais de dez MTV Awards, entre melhor fotografia, melhor direção, e melhor videoclipe do ano, ao lado de diretores como Andrucha Waddington e Katia Lund, entre outros. Em 2000 esteve à frente do documentário Amyr Klink - Mar Sem Fim, exibido no GNT e no programa Globo Repórter, da TV Globo.
Consagrado no mercado publicitário, com campanhas para marcas como General Motors, Ford, Honda, Itaú e Mastercard, entre outras, foi eleito o melhor diretor de publicidade, em 2002, pela Associação Brasileira de Propaganda.
SOBRE A CONSPIRAÇÃO FILMES
Criada em 1991 e baseada no Rio de Janeiro, a Conspiração Filmes (www. conspira.com.br) é conhecida pela alta qualidade e originalidade de seus trabalhos. Seus longas-metragens (entre os quais destacam-se Eu Tu Eles, Redentor, O Homem do Ano, Surf Adventures, A Taça do Mundo é Nossa! e Casa de Areia) têm figurado na seleção oficial dos grandes festivais mundiais de cinema como Cannes e Berlim e têm sido distribuídos na América Latina e mundialmente por empresas como Warner Bros., Columbia Tristar e Sony Pictures Classics. Suas produções de televisão – musicais e documentários - já foram exibidas em mais de 30 países. Uma produtora-líder no Brasil, a Conspiração Filmes produz mais de 100 comerciais por ano para grandes agências de publicidade e anunciantes brasileiros e internacionais. SOBRE A GLOBO FILMES
A Globo Filmes foi criada em 1998, como braço cinematográfico da TV Globo, com os objetivos de contribuir para o fortalecimento da indústria audiovisual brasileira e aumentar a sinergia entre o cinema e a televisão. Desde a sua criação, a Globo Filmes tem participado de vários sucessos de bilheteria como Cidade de Deus, que recebeu quatro indicações ao Oscar em 2004, Carandiru, Lisbela e o Prisioneiro, Cazuza – O Tempo não Pára e Olga, todos superando os 3 milhões de espectadores.
A Globo Filmes participou da produção de 34 filmes que atingiram mais de 50 milhões de espectadores nas salas de cinema. Formou parcerias com cerca de dezesseis produtores independentes e contribuiu significativamente para a divulgação do enorme talento e criatividade dos profissionais de audiovisual brasileiro e da diversidade de temas e estilos dos mais diversos diretores oriundos do cinema, da televisão e da publicidade.
Embalada pelas grandes produções de sucesso, a Globo Filmes pretende co-produzir entre 8 e 10 filmes por ano, em parceria com produtores e distribuidores nacionais e internacionais, numa clara associação de competências e interesses. Essa estratégia, associada à credibilidade e padrão de qualidade da TV Globo, vem colaborando com o definitivo amadurecimento do setor e criando uma nova forma de fazer cinema no Brasil.
9 entre as 10 maiores bilheterias de filmes brasileiros dos últimos 10 anos são co-produções da Globo Filmes. SOBRE A COLUMBIA TRISTAR FILMES DO BRASIL
A Columbia
TriStar Pictures é um dos estúdios mais tradicionais de
Hollywood e uma das empresas de maior atuação no mercado cinematográfico.
Pertencente à Sony Pictures Entertainment Company, a Columbia se
posiciona
como líder na produção e distribuição de filmes, entretenimento e tecnologia. De acordo com os dados de 2003 da pesquisa realizada pela FilmeB, a Columbia obteve liderança no market share do Brasil, tanto em público (22, 5%), como em renda (22,00%). Se considerados apenas os filmes nacionais lançados naquele ano, o número sobe para 50,1% de market share. Para 2005, a distribuidora traz novos sucessos, com destaque para A Feiticeira, versão cinematográfica da famosa série de televisão e as continuações A Lenda do Zorro e Gigolô por Acidente.
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