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- Sinopse
Seis desempregados, inspirados por um show de strip-tease itinerante, decidem que podem ganhar dinheiro montando seu próprio show de strip-tease - mas com uma pequena diferença. Eles pretendem fazer um "tudo ou nada" e ficar completamente nus! Nesta hilariante comédia, estes seis amigos descobrem a força interior para enfrentar qualquer coisa, desafiando o mundo. Esta "encantadora divertida... comédia que agrada as massas" (David Ansen, Newsweek) apresenta músicas de Donna Summer, Gary Glitter, Sister Sledge e Tom Jones.
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- Informações Técnicas
Título no Brasil:
Ou Tudo Ou Nada Título Original:
The Full Monty País de Origem:
EUA Gênero:
Comédia Tempo de Duração: 90 minutos Ano de Lançamento:
1997 Site Oficial:
Estúdio/Distrib.:
Fox Home Entertainment Direção:
Peter Cattaneo
- Elenco
Robert Carlyle ... Gaz Mark Addy ... Dave William Snape ... Nathan Steve Huison ... Lomper Tom Wilkinson ... Gerald Paul Barber ... Horse Hugo Speer ... Guy Lesley Sharp ... Jean Emily Woof ... Mandy Deirdre Costello ... Linda Paul Butterworth ... Barry Dave Hill ... Alan Bruce Jones ... Reg Andrew Livingston ... Terry Vinny Dhillon ... Sharon
- Trilha Sonora
“The Zodiac”
Escrita por David Lindup
Publicada por KPM Music Limited
“Slaidburn”
(1994)
Composta por William Rimmer
Interpretada por The British Steel Stocksbridge Band
© 1994 Wright e Round Limited
“I'm The Leader Of the Gang”
(1974)
Escrita por Mike Leander e Gary Glitter
Recorded by Gary Glitter
Used by permission of MCA Music Ltd.
(Heard when the Chippendales are performing)
“Moving On Up”
(1994)
Escrita por Paul Heard & Mike Pickering
Interpretada por M People
Used by permission of BMG Ent. Int. UK & Ireland Ltd.
Publicada por EMI Music Publishing Ltd./BMG Music Publishing Ltd.
“Hot Stuff”
(1979)
Música de Harold Faltermeyer
Recorded by Donna Summer
© Budde Music Inc./WB Music Corp.
Licensed by kind permission of Warner/Chappell Music Limited e from the PolyGram Commercial Marketing Division
“You Sexy Thing”
(1975)
Escrita por Errol Brown
Interpretada por Hot Chocolate
© 1975 RAK Publishing Limited
“Adios Muchachos”
(1927)
Música de Julio C. Sanders (uncredited)
Interpretada por Platinum Dance Orchestra
© 1940 Peer International Corp., USA e Peermusic (UK) Ltd.
“Je t'aime...moi non plus”
(1969)
Escrita por Serge Gainsbourg
Recorded by Serge Gainsbourg e Jane Birkin
© 1969 Melody Nelson Publishing, Paris
Licensed by Shapiro Bernstein & Co. Ltd., London
Licensed by kind permission from the PolyGram Commercial Marketing Division
“Land of a Thousand Dances”
(1971)
Composta por Chris Kenner
Interpretada por Wilson Pickett
Publicada por Longitude Music Co.
Re
“Flashdance (What a Feeling) '95”
(1983)
Música de Giorgio Moroder
Recorded by Irene Cara
© Intersong USA Inc./Famous Music Corp./Georgio Moroder Publishing Company
Licensed by kind permission of Warner/Chappell Music Limited e from the PolyGram Commercial Marketing Division
“The Stripper”
(1964)
Escrita por David Rose
Interpretada por Joe Loss & His Orchestra
© David Rose Publishing
“Make Me Smile (Come Up e See Me)”
(1975)
Escrita por Steve Harley
Interpretada por Steve Harley & Cockney Rebel
© 1975 Trigram/RAK Publishing Limited
“We Are Family”
(1969)
Escrita por Bernard Edwards e Nile Rodgers
Interpretada por Sister Sledge
© Bernard's Other Music/Tommy Jymi Inc./Warner-Tamerlane Publishing Corp. Por kind permission of Warner/Chappell Music Limited e Warner Music UK Limited
“Rock e Roll Part 2”
(1972)
Escrita por Mike Leander e Gary Glitter
Recorded by Gary Glitter
Used by permission of MCA Music Ltd.
“Deep Fried in Kelvin”
(1993)
Escrita por Nick Banks, Jarvis Cocker, Candida Doyle, Steve Mackey e Russell Senior
Recorded by Pulp
© 1993 Island Music Ltd.
Licensed by kind permission from the PolyGram Commercial Marketing Division
(Background music while the men are preparing to go on stage at the show)
“You Can Leave Your Hat On”
(1975)
Escrita por Randy Newman
Interpretada por Tom Jones
© Warner-Tamerlane Publishing Corp. Por kind permission of Warner/Chappell Music Limited
“Abide with Me”
(1861) (uncredited)
Música de William H. Monk
Hymn by Henry F. Lyte (1847)
Interpretada por The British Steel Stocksbridge Band at the funeral, with Steve Huison on trumpet
- Imagens do Filme

- Trailers
Veja aqui o trailer do filme em Windows Media Player. Veja aqui o trailer do filme em Quicktime. - Comentários
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12/05/2008 Nota: Ótimo Enviado por: Alessandro de Moura | Neoliberalismo e desemprego - impactos na objetividade (e subjetividade) humana: uma análise de “Ou tudo ou Nada” por Alessandro de Moura Ou tudo ou nada (The Full Monty de Peter Cataneo - 1997) Contexto sociológico em que o filme se insere O sistema produtivo capitalista para continuar existindo necessita progredir continuamente. Dessa forma, avançou progressivamente no desenvolvimento de novas técnicas de organização social e da produção. Da assimilação das ferramentas e técnicas dos trabalhadores até a flexibilização e subsunção subjetiva do toyotismo, converteu os saberes, técnicas e vivências dos trabalhadores em dispositivos para máquinas, assim, expropriou o trabalhador de seu conhecimento empírico, colocando-o sob o domínio da máquina. Com isso potencializou-se a produção e diminuiu a demanda efetiva de força de trabalho multiplicando o desemprego e suas conseqüências. Na nova fase da acumulação capitalista, a partir da década de 1970, com o declínio das políticas keynesianas1, o desemprego se alastrou pelo mundo, e com ele, voltou-se aos velhos problemas que pareciam resolvidos, como no caso dos desempregados involuntários. Porém desta vez o desemprego passou a ser visto como um apêndice do sistema capitalista sugestiona-se não haver como extingui-lo. Ainda com o neoliberalismo parece irromper-se da cova rasa o velho laissez-faire. Assim aceitou-se, ainda que com certo constrangimento, que não é mais possível aproximar a demanda de força de trabalho necessária a produção, a da demanda social de empregos, dessa forma o desemprego é encarado agora parte da nova estrutura do sistema capitalista. A fim de evitar que ele aumente ainda mais gerando um quadro social insustentável trata-se de flexibilizar os salários e os demais direitos dos trabalhadores. Ou seja, como parte da nova fase de desenvolvimento e acumulação, o sistema capitalista no pós-guerra fria, encontra um desafio muito grande, como vencer a crise da superprodução e acumulação, a saída encontrada foi flexibilizar a produção, produção enxuta, em seguida flexibiliza-se os salários e os direitos dos trabalhadores. Desenvolvem-se novas formas e técnicas de produção visando novos padrões de acumulação. Implementa-se com a reestruturação produtiva, inovações técnicas e de organização do trabalho como a lean production, estoque mínimo e Kanban. Tais inovações, surgidas a principio no Japão, espalham-se pela produção a nível mundial, adaptando-se em cada pais, de acordo com suas especificidades. Tornou-se possível ao capital se revigorar novamente, em uma nova guerra, só que desta vez ela é empreendida contra os direitos trabalhistas, ou seja, uma guerra pela subsunção do homem que vive do próprio trabalho. Obrigando o homem a se entregar mais ao trabalho, exige-se agora a disposição da mente e do corpo. Dada às inovações do sistema produtivo e o enxugamento do Estado (declínio do keynesianismo), a produção passa a funcionar com um número cada vez menor de capital variável (mão-de-obra). A crescente liberação de força-de-trabalho gera incompatibilidade cada vez maior entre a oferta e demanda de trabalho, o número excedente de mão-de-obra, converte uma parte dela em “mercadoria dispensável”. Karl Marx (1818-1883) n’"O Capital", capitulo XXI, considera que a falta de emprego “força” os trabalhadores empregados a submeter-se a baixos salários, e a vidas formas de vida paupérrimas, já que não existem empregos em número suficiente para todos trabalhadores, ainda assim o capital transmite a caricatura de expansão e vitalidade, como se vivêssemos no melhor dos tempos. “[...] a verdade é que a acumulação capitalista sempre produz, e na proporção de sua energia e de sua extensão, uma população trabalhadora supérflua relativamente, isto é que ultrapassa as necessidades médias da expansão do Capital, tornando-se, desse modo, excedente. ”2 O desenvolvimento das forças produtivas, capital constante (meios de produção), desvaloriza o capital variável (trabalhadores), pelo menos em dois sentidos; 1) aumenta o nível de exploração do trabalho com o aumento da produtividade-por-trabalhador, e 2) multiplica a concorrência estabelecida entre os trabalhadores empregados x desempregados. “Durante os períodos de estagnação e de prosperidade média, o exército industrial de reserva pressiona sobre o exercito de trabalhadores em ação”.3 Tal concorrência entre os próprios trabalhadores empregos tende a prejudicar os trabalhadores na hora de exigir os salários necessários. Assim torna-se possível ao capitalista, recrutador de mão-de-obra, estabelecer salários a níveis que melhor lhe convêm, ou seja, sempre relativamente mais baixos (flexibilização dos salários e dos direitos dos trabalhadores) para com isso embolsar maiores lucros. Vale reafirmar que o aumento do exército industrial de mão-de-obra de reserva não se dá apenas pelo aumento demográfico da população, mas também pela modificação na composição técnica do capital (diminuição efetiva dos postos de trabalho). A proporção em que o capital constante aumenta (desenvolvimento técnico) é progressivamente maior em relação ao incremento do capital variável, produzindo um contingente cada vez maior de trabalhadores que mesmo estando aptos para o trabalho, acabam, pela grande oferta de mão-de-obra, ficando de fora do exército dos trabalhadores ativos. Gerando o que Keynes chamou de “desemprego involuntário”. Com o progresso da acumulação, varia a relação entre capital constante e capital variável. De 1:1 originalmente ele passa digamos para 2:1, 3:1, 4:1, 5:1, 6:1, 7:1. Desse modo, ao crescer o capital, emprega-se em força de trabalho, em vez de 1/2 de seu valor global, progressivamente apenas 1/3, 1/4, 1/5, 1/6, 1/7 e 1/8 desse mesmo valor. Sendo a procura do a procura de trabalho determinada não pela magnitude do capital global, mas pela magnitude de sua parte variável, ela cai proporcionalmente com o aumento do capital global, ao invés de crescer proporcionalmente com ele [...].4 Com o grande número de fechamento das indústrias (intensificadas a partir dos anos 1980). Somado as inovações acarretadas pela reestruturação produtiva (que trouxe no seu bojo a atenuação da ação sindical), os empregos fixos, com carteira assinada e as respectivas garantias ao trabalhador, também os empregos de boa remuneração (funcionários de carreira) tornam-se cada vez mais escassos. Expande-se o setor de serviços e o trabalho informal instala-se assim “o novo (e precário) mundo do trabalho”5. As leis trabalhistas flexibilizam-se, instituindo a precariedade. Com esse enorme poder de barganha as empresas podem ainda exigir novas qualificações e polivalências do trabalhador, mas que principalmente, aceite os novos padrões e índices de salários. Análise do filme O núcleo central de “Ou tudo ou nada” (1997) de Peter Cataneo é o fechamento de indústrias de uma pequena cidade da Inglaterra, Sheffield, com isso um grande número de trabalhadores são demitidos, cria-se um grande contingente de homens desempregados na cidade. O número de postos de trabalho é cada vez mais estreito, assim, fatalmente grande parte dos “antigos operários” demitidos das fábricas, não podem ser absorvidos pelo mercado de trabalho, nas mesmas funções ou com os mesmo padrões de salário, uma vez que o mercado está em pleno encolhimento. Entre os trabalhadores demitidos estão os seis principais personagens do filme; Gaz, (Robert Carlyle OBE), Dave (Mark Ady), Gerald (Tom Wilkinson), Horse (Paul Barber), Lomper (Steven Huison), Guy (Hugo Speer) A partir da década de 1970, no processo de transição da indústria pesada para a automatizada, indústria leve e depois enxuta, multiplicou-se contingente de trabalhadores dispensáveis, que não pode mais ser absorvidos pelo sistema produtivo. Assim algo que nos identifica com a trama do filme, é que os seis personagens estão vivenciando uma situação que atualmente é vivida na realidade por milhares de outros trabalhadores desempregados, e que ainda, pode ser vivido por qualquer um de nós. Gaz e Dave relutam ainda em aceitar os trabalhos temporários, bicos e os novos níveis de salários e graus de subsunção estabelecidos pela nova configuração do mercado de trabalho. Como alternativa para driblar o desemprego e conseguir algum dinheiro que os tire da pior, Gaz reúne amigos e desempregados a fim de buscar uma nova forma conseguir dinheiro. Gaz nota que é preciso pensar em uma nova forma de empregar o corpo para ganhar a vida, pois eles não possuem outra coisa parar vender, que não seja seu trabalho, precisam encontrar uma outra forma de inserir-se novamente em alguma atividade remunerada. Gaz apoiado pelo seu amigo e ex-companheiro de fábrica Dave, pensa que pode conseguir um bom dinheiro fazendo um strip-tease, Gaz propõe com isso, mesmo sem pensar na complexidade da nova tarefa, uma nova forma de utilizar seus corpos para ganhar a vida. Novas formas de pensar e utilizar o corpo A proposta inicial de Gaz é fazer o show de strip-tease uma única vez, e com isso pagar suas dividas, para isso convence Dave a buscar mais quatro parceiros para a difícil tarefa. Um deles é o, ainda vigia e ex-companheiro da fábrica fechada Lomper. O outro é Gerald, um gerente desempregado que freqüenta a mesma agência de empregos que os amigos. Completam o quadro dos futuros stripers, Horse e Guy que são selecionados através de anúncios. E já que estão completamente fora do padrão de beleza de um striper convencional, Gaz entende que terão que ir além, terão fazer de forma diferenciada, então a proposta é tirar tudo, ficar completamente nus. Gaz é divorciado e sua ex-esposa ameaça impedir-lhe de ver o filho caso não pague a pensão atrasada. Quando a observamos no filme, parece que ela não precisa de fato do dinheiro da pensão, também porque ela está vivendo com um outro homem, que pela forma como se por e se veste, parece estar empregado. Assim o filme pode sugerir que a ex-esposa esteja pressionando Gaz para forçá-lo a empregar-se em alguma atividade, e não necessariamente porque ela precise do dinheiro da pensão. Podemos até supor que o casamento de Gaz tenha terminado por causa da perda do emprego, por ter permanecido nessa condição. O fato é que, desempregado, ele perdeu também a guarda do filho, e ainda, a ex-esposa ameaça de proibi-lo de ver o filho caso não pague o débito. Parece ser isso que o impulsiona, podemos dizer desesperadamente, Gaz a tentar conseguir dinheiro parar pagar a pensão. A trama fica mais interessante ainda porque o seu filho Nathan (William Snape) acompanha o pai e os amigos durante toda essa aventura mirabolante. Interessante notar que, durante o filme, em algumas passagens, temos a impressão de que Nathan que orienta o grupo. Mas o desemprego de Gaz e dos companheiros não é de fato de responsabilidade dos personagens. Conforme sugerimos, o alto nível de desemprego masculino na cidade foi ocasionado por uma série de elementos significativos, fazendo do desemprego um problema estrutural. A falta de trabalho em Sheffield pode ser explicada pela migração das plantas industriais e demissão massiva de trabalhadores (que eram na maioria homens). Com isso desenvolveram-se novos ramos e setores produtivos, mas que não foram o suficiente para empregar todos os desligados do setor. Muitas profissões desapareceram. O sistema produtivo mudou, passou a empregar um número maior de mulheres do que de homens, estes altamente qualificados para outras funções ligadas ao antigo padrão fordista/taylorista de trabalho, hesitaram perante as profundas transformações no mercado de trabalho e ao trabalho precarizado. As novas ferramentas de trabalho O alto nível de desemprego em Sheffield e a maior empregabilidade feminina, gera uma re-configuração social que irrompe as fronteiras dos lares dos trabalhadores, chegando até a organização de suas familiar. Grande parte das mulheres da cidade, com o declínio da indústria pesada, passam a trabalhar “fora”. E assim, passaram a ocupar maior espaço no mercado de trabalho, exercendo atividades remuneradas, e mais que isso, dado o desemprego dos maridos, são elas que passam a sustentar seus lares. Importante acrescentar que as mulheres já trabalhavam em suas casas, porém agora elas passam agora a acumular mais trabalho, trata-se de uma dupla jornada de trabalho. Podemos avaliar que tal inversão no mercado de trabalho, com inclusão das mulheres na população economicamente ativa, não constituiu de fato uma vitória. Pelo menos não sentido pleno do termo. Pois embora o mercado de trabalho esteja absorvendo um número maior de mulheres, isso ocorre justamente em pleno processo de precarização dos regimes de contratação e de salário. No período de expansão do exército industrial de reserva, que tende a fazer baixar os salários. Com isso, empregam-se mulheres a níveis salariais mais baixos, sem se criar um montante total maior de empregos, assim implica substituir a mão-de-obra masculina pela mão de obra feminina, desde que se trabalhe a menores preços (salários). Desta forma o índice geral de desemprego não diminui. Soma-se a isso que com os governos Thatcher e Tony Blair os direitos trabalhistas na Inglaterra foram flexibilizados em grande escala, instalando-se a precariedade, baixos salários e também a insegurança de um futuro inserto (instabilidade no emprego). Mesmo em tais condições, outro fator socialmente relevante apresentado no filme e que deve ser considerado, que trouxe uma série de transformações subjetivas e objetivas para a vida dos pacatos cidadãos de Sheffield é que muitas mulheres e esposas dos trabalhadores da cidade passaram a receber de seus próprios salários, deixando de depender da renda do marido (que na maioria dos casos está agora desempregado). Com as mudanças de sexo da população com renda e de acesso ao mercado alteram-se também as mercadorias no mercado, e como isso se altera também alguns dos hábitos dos consumidores. Pois o mercado está sempre atento as demanda imediatas dos consumidores. Cria-se com isso, uma série de serviços e produtos com intuito de disputar os salários, que serão gastos segundo um novo perfil e gênero dos consumidores. Surge um mercado específico pronto a atender as novas necessidades e exigências do público pagante. Cria-se “um pacote” de produtos e serviços para cada nova demanda social. Entre a gama de produtos criados para o público feminino estão às formas de entretenimento, e entre elas está um dos ambientes em maior evidência na trama do filme, que é um clube da cidade onde se apresentam shows voltados para mulheres. O importante a destacar é que a boate na prática é bem mais do que isso, ela funciona como um ponto de encontro das mulheres trabalhadoras, como uma forma de happy hour, já que, agora são as mulheres (casadas e solteiras) que estão expostas a rotina exaustiva do trabalho estranhado. Elas podem encontrar na boate um momento de lazer e interação na coletividade feminina. Em muitas ocasiões os homens são “proibidos” ali, já que constitui um espaço feminino. Em uma das cenas do filme é possível identificar na boate a esposa de Dave, que no banheiro da boate, faz xixi em pé, como uma forma de satirizar o poder masculino ligado ao pênis. Mas voltando para o personagem Gaz, a boate para ele serve a outra finalidade, imerso nas dificuldades de pagamento da pensão do filho, dado o desemprego prolongado, e sob o risco ficar impedido de ver o filho caso não pague a pensão. O personagem vê na boate de strip-tease, não um local de descontração, e sim uma chance de conseguir os recursos necessários para quitar sua divida. Gaz parece não nutrir mais esperanças de conseguir um compatível ao seu emprego anterior, e nem mesmo nos padrões fordista/taylorista que o possibilite retomar o controle de sua vida. Mas Gaz não quer ser impedido de ver o filho, isso implicaria aceitar que fracassou não só como homem trabalhador (que perdeu o emprego) e como marido (que não conseguiu manter seu lar), mas também como pai (Gaz teme que caso seja impedido de ver o filho, tenderá a se tornar cada vez mais distante). Dave, embora precise de um novo emprego, para retomar seu posto em sua casa e com isso poder sentir-se um homem capaz novamente frente à esposa que está trabalhando pelos dois, fica o tempo todo vacilante perante a nova situação. Dave chega a aceitar um emprego de segurança em uma loja de roupas, mas Gaz, obstinado, justamente nesse momento procura Dave e faz com que o amigo abandone o emprego para ajudá-lo. Gerald, homem de meia-idade altamente qualificado, com sua racionalidade de administrador, considera que todo este esforço para tentar o trabalho de streaper é uma loucura, mas suas contas estão atrasadas e seu padrão de vida esta despencando (e é claro, levando junto o de sua esposa), por fim Gerald concordando com a proposta de Gaz, e mais que isso, acaba tornando-se o professor de dança do grupo. Lomper, é o vigia solitário da antiga fábrica, que mais parece de um cemitério de máquinas. Nauseado pelo cenário de solidão entre as máquinas “de pernas pro ar” e óleo pelo chão, Lomper chegou ao fim do túnel da vida sem encontrara a luz. Lomper não consegue ver saída, sua vida não encontra motivação de ser. O personagem está tentando suicidar-se quando Dave e Guz o encontram e impedem a consumação do ato. Ainda mais inusitado que isso, depois os “salvadores” de Lomper (Gaz e Dave), ainda conseguem convencê-lo a fazer parte do plano mirabolante de Gaz. Em contrapartida, Guy, o mais jovem dos seis futuros dançarinos, parece ser um aventureiro, está topando qualquer coisa, ele é um jovem desempregado, mas também é “pura adrenalina”. Já o sexto personagem Horse, também entrou nessa principalmente por falta de dinheiro, ao lado de Gerald, ele é também um dos mais velhos do grupo, sente o peso da idade e também o constrangimento de um corpo sugado pelos longos anos de trabalho. Conseqüências do fracasso no papel social A sociedade de modo geral estabelece a cada período histórico as formas de vivência que devem ser seguidas. As transgressões ou subversão de tais modelos implicam em conseqüências mais ou menos graves de acordo com o tipo de infração a esses modelos. Os sujeitos percebendo as sanções sociais possíveis esforçam-se por não transgredir as regras nas quais estão imersos. Mas com o rápido desenvolvimento do capitalismo e transformação das tradições ocorre um choque de temporalidades, entre o tempo vivido e percebido e o tempo presente. Mas isso não coloca em risco a manutenção do sistema. Pois para melhor dinâmica do capitalismo os hábitos devem ser transformados corriqueiramente de acordo com as necessidades do mercado, e nesse ponto as tradições podem servir ainda como obstáculos a seu desenvolvimento. Assim o sistema capitalista, como nem um outro o conseguiu, implodi e impõe, cria e faz desaparecer modos de vida a cada período, novas estruturas de produção e de mercado e assim novas formas de se viver. Considerando que as transformações sociais constituem necessidade do sistema capitalista, e uma capacidade ontológica do ser humano genérico, torna-se impossível evitar os choques tempo/temporalidades dos sujeitos. A nova estrutura social que emerge de forma abrupta, chega a gerar choques culturais, hábitos e costumes são contrariados e deslegitimados em curtos espaços de tempo, tal instabilidade pode chegar a ser traumática conduzindo homens e mulheres por caminhos confusos e insertos. Mas tal problemática não significa previsão de um “fim próximo” desta forma de organização social. Mas, parece que essa lógica contraditória, com o declínio do fordismo/taylorismo que trouxe o desmoronar de uma forma de organização social. Atingiu em cheio os trabalhadores desempregados do filme. Para eles, lidar com a perda da profissão e com o antigo (mas de certa forma estável) estilo de vida. E ainda, romper com a idéia do marido como chefe da casa que sustenta a família, segundo a lógica do homem no trabalho e a mulher em casa, cuidando dos filhos, gerou um choque no comportamento dos personagens, um estranhamento de si frente ao mundo. Pois até então eles tinham um papel social claramente definido. Mas agora na condição de desempregados, e com o desaparecimento de seus antigos postos de trabalho, e em muitos dos casos, até mesmo de suas profissões, que foram extintas. Os trabalhadores desempregados de Sheffield são tomados pela insegurança e pela impressão de obsolescência, que de forma geral tende a assombrar os desempregados. A forma que os Gaz encontrou, no filme, de resistir a tal situação é não aceitar a nova estrutura do mercado de trabalho e salários, resistem assim a nova lógica emergente na sociedade a sua volta. Mas por outro lado, não se pode deixar de observar, tomando por exemplo a caso de Dave, que o personagem, além do desemprego, também se incomoda por não ter outra saída a não ser a de aceitar o dinheiro de sua esposa. Por não ter outra saída senão passar a ser sustentado pela esposa, ou mesmo receber salários menores que os das esposas. Isso porque os trabalhadores guardam em suas experiências vividas, percebida e compartilhada a memória do trabalhador fordista, que com seu salário mantinha toda a família, servindo como exemplo para os filhos. Agora por conta do desemprego eles se sentem diminuídos, envergonhados, como se o desemprego torna-se dependentes, submissos ou menos importantes perante as esposas. Ou seja, os operários de Sheffield, como os de muitos outros lugares, têm em determinada medida orgulho do que foram as fábricas e de suas antigas profissões. O período áureo da grande indústria nos moldes taylorista/fordista e a ação dos sindicatos enfatizavam a importância do operário na construção e desenvolvimento da economia e do país, produziu-se uma “moral operária”. Esses trabalhadores construíram em si, a imagem do operário como um herói, os braços fortes do país. Nesse raciocínio o homem deve ser também o provedor dos meios de subsistência para toda a família, cabe a ele a obrigação se sustentar e proteger a todos que estejam abaixo de seu teto, é ele que deve ser o chefe do lar. Mesmo no caso do personagem Gerald, que parece ser um ex-gerente, após perder o emprego não pode aceitar tranquilamente a nova condição. Gerald não é capaz nem mesmo de revelar à esposa sua nova condição. Opta, pelo silêncio, tentando a duras penas manter o nível de vida nos padrões classe-média-alta. Tais elementos desta narrativa fílmica podem nos levam a pensar o processo de desmonte da coluna dorsal do homem forte e super-potente da era for/Taylor, seu calcanhar de Aquiles, ou seja, o desemprego. “Ou Tudo ou Nada” expõe a condição dos trabalhadores desempregados frente ao desmanchar da indústria taylorista/fordista, e ao mesmo tempo, o fraquejar masculino. O desemprego impõe ao homem condições precárias de sobrevivência e sentimento de culpa individual. Sua sensibilidade e sofrimento vem a tona, atingindo várias dimensões da sociabilidade. Até mesmo na intimidade do trabalhador, como no caso de Dave que passa a ter disfunção sexual, dada sua sensação de incapacidade individual perante as outras pessoas empregadas. Mas Dave não é um caso isolado de auto-culpabilização, todos os seis amigos apresentam sinais dos efeitos dilaceradores do estigma do desemprego e da sensação de inutilidade social, eles se sentem responsáveis (ou culpados) pelo próprio desemprego. Tal condição pode levar a falência da auto-estima, com isso é possível observar ainda, o desmoronamento do referencial masculino-provedor do lar. Apesar do filme procurar retratar este drama delicado com certa comicidade, a temática nos faz pensar que o número de indivíduos dispostos a tudo para conseguir um emprego, mas que não conseguem se re-inserir no mercado de trabalho. E que ainda são tomados individualmente com culpados. Ao invés disso devemos pensar que o desemprego é a base de sustentação do sistema capitalista. Pois só com o desemprego de milhões é que se pode obrigar as pessoas, as que permanecem empregadas, a trabalhar pelo menor salário possível. E assim gerar maiores lucros (e acúmulo) para os empregadores. Tal situação é crescente no mundo todo, pois com o desaparecimento de uma infinidade de postos de trabalho o índice do desemprego cresce com ritmo e progressão geométrica, fazendo com que os trabalhadores sejam obrigados a aceitar subempregos de qualquer espécie. Cabe a nós todos, hoje, refletir sobre as conseqüências sociais do desemprego e ainda a viabilidade para a humanidade da manutenção e existência do sistema capitalista. Está na pauta do dia a construção do socialismo do século XXI, como forma de desconstrução da perversidade da sociedade da mercadoria, do emprego/desemprego/exploração. Apenas seremos livres quando nos libertamos da obrigatoriedade da venda da nossa força de trabalho para outrem. Alessandro de Moura é bacharel e mestrando em Ciências Sociais na UNESP foi bolsista PIBIC-CNPq (2006-2008). |
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