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  • Sinopse
    Tendo como pano de fundo um Brasil que acaba de abolir a escravatura e proclamar a República, Helena Morley começa a escrever o seu diário, que nos revela seu universo e um país que adolesce com a menina. É nesse diário que Helena debocha e desmascara as pretensas virtudes alheias. Adolescente de ascendência inglesa, Helena vive na remota cidade de Diamantina em Minas Gerais, símbolo da era de mineração agora em franca decadência. Em um momento crítico de sua vida, ela briga para estabelecer sua liberdade e individualidade. Procurando com sofreguidão não perder uma infantil alegria de viver, e reinventando o mundo à sua maneira, Helena Morley é o diamante mais raro de Diamantina.

    Já Viu o Filme? Comente e Dê sua Nota...
     
  • Informações Técnicas
    Título no Brasil:  Vida de Menina
    Título Original:  Vida de Menina
    País de Origem:  Brasil
    Gênero:  Drama
    Classificação etária: Livre
    Tempo de Duração: 102 minutos
    Ano de Lançamento:  2004
    Site Oficial: 
    Estúdio/Distrib.:  Europa Filmes
    Direção:  Helena Solberg
     
  • Elenco
    Ludmila Dayer ... Helena Morley
    Daniela Escobar ... Carolina
    Dalton Vigh ... Alexandre
    Maria Sá ... Dona Teodora
    Camilo Beviláqua ... Tio Geraldo
    Lígia Cortez ... Tia Iaiá
    Leonor Gottlieb ... Tia Madge
    Benjamim Abras ... Prof. Teodomiro
    Margarida Aguiar ... Vizinha
    Thiago Fonseca ... Renato
    Dona Lita ... Carlota Pistola
    Luciano Luppi ... Motta
    Bianca Lyrio ... Helena Morley - 9 anos
    Eliane Maris ... Siá Ritinha
    Bueno Prado ... Pai de Glorinha
    Sônia Rocha ... Mulher 2
    Guilherme Toledo ... Leontino
    Geraldo Vieira ... Seu Cláudio dos Correios
     
  • Trilha Sonora

     
  • Imagens do Filme



     
       
     
       
     
       
     
       
  • Trailers
    Veja aqui o trailer do filme em Quicktime.
     
  • Comentários

    1  18/01/2007  Nota: Ótimo  Enviado por: José Carlos Dell'abadia
    Filme que provoca uma grande emoção no final.

    2  04/02/2007  Nota: Bom  Enviado por: Leandro Rocha Saraiva
    O encanto de Helena salta aos olhos de qualquer um que aprecie independência de espírito e um gosto pela vida que não discrimine afetos, idéias e prazeres. Entre as delícias de um riacho cristalino e a beleza dos tecidos finos, a camaradagem com as pessoas mais pobres e o desejo de se afirmar frente aos poderosos, o amor pela avó idosa e sua chácara cheia de ex-escravos e o desejo de morar na capital, entre a fantasia de Júlio Verne e lucidez sobre o trabalho árduo necessário à sobrevivência, Helena escolhe tudo. Sua mãe, amorosa, preocupada com a voracidade da filha, lhe pergunta se ela acha que o mundo está para acabar. “Está apenas começando”, diz, leve, a moça que, comendo uma maçã, ainda saboreia um recém recebido primeiro beijo. Tão amorosa quanto a mãe, diz-lhe que talvez o problema esteja mais nela, que de tanto trabalhar e tão pouco sair de casa, acaba acreditando que a vida é só sofrimento.
    A sombrinha inglesa com a qual a tia zelosa lhe quer proteger a pele lhe serve de instrumento de afirmação menos simbólico do que gostaria a senhora afeita a etiqueta européia: Helena prefere usá-la para bater na colega que faz troça de seu finado avô. Suas sardas florescerão sob o sol brasileiro, mais como pintas de “ovo de tico-tico” – apelido com o qual o irmão a importuna – do que para marcas de inglesa distinção. A mesma desconfiança que dispensa aos estrangeirismos, a jovem senhorita Morley aplica a carolice que lhe chega pelo lado materno. Helena ajoelha, mas pouco reza: desmascara a piedade falsa e interesseira da prima rica, aproveita a confissão para discutir com o padre as fronteiras entre orgulho, pecado e justiça e, indignada com o obscurantismo tacanho das respostas obtidas, deixa o sacerdote falando sozinho. Sozinha como confessa à amiga negra se sentir sob o céu que seus olhos podem ver, o único certo, que não faz distinções entre brancos, pretos, ricos ou pobres, mas que também é indiferente a todos.
    Minha vida de menina, publicado por sua autora em 1942 e agora adaptado por Helena Solberg para o cinema, já tivera flagrada sua justaposição entre relato de formação pessoal e nacional - no prefácio escrito em 1959 por Alexandre Eulálio e no recente Duas Meninas, de Roberto Schwarz.
    A saborosa verve “iluminista” (como diz Schwarz) de Helena revela uma abertura de alma que é a expressão subjetiva de uma abertura de horizontes históricos. O cativante e caloroso desassombro da família Morley convive com as hierarquias e códigos sociais sem lhes conferir maior autoridade do que aquela que percebem empiricamente e, por outro lado, sua evidente auto-estima não significa, de modo algum, um sentimento de superioridade. Sem qualquer intenção sistematizante, essas questões de status, assim como suas muito concretas bases materiais, aparecem por toda parte na crônica de Helena, dando testemunho de uma situação histórica muito particular. Na Diamantina do fim do século, as lavras estavam esgotadas e a riqueza, se já não era mais uma força presente de opressão, tinha formado um ambiente em conexão com o mundo. Há aqui um momentâneo e raro relaxamento dos laços de dominação social. Antes da consumação da segregação dos negros “libertos”, os ex-escravos convivem com os brancos sem posses. Os rigores do lado materno e abastado da família de Helena só confirmam o “perigo” dessa proximidade social. As antigas relações de dependência perdem força de estruturação social neste ambiente empobrecido e revelam seu potencial, senão de fraternidade, ao menos de convívio amigável.
    A diretora soube pôr na tela esse vislumbre de um Brasil que não vingou. Na tela, Helena, interpretada por Ludmila Dayer, concilia, de modo desenvolto, naturalidade e esperteza, amor e inteligência, entusiasmo otimista e descoberta dolorosa dos limites sociais. Ao seu redor, o conjunto das interpretações valoriza e enraíza sua figura, que emerge mais definida do amor desinteressado de sua mãe por seu pai – que, no dizer de uma senhora já experiente, “não é normal” e, aos olhos do irmão rico, a faz “tonta”, assim como o espírito aventureiro do pai lhe parece “irresponsável”. Junto com as palavras, os gestos também apresentam os movimentos da vida social de sutil filigrana: a bondosa avó faz seu papel senhorial sem levá-lo também muito a sério, o jeito da amiga negra, Arinda, é muito parecido com o de Helena, enquanto o de Naná, a prima rica, é todo afetação. No roteiro, a estrutura episódica de um diário é mantida, mas é reconstruída pela recombinação de fragmentos. Um domínio profundo da matéria viva do relato é exigido para que se alcance uma trama tão delicada do tecido pessoal e social. Nesta nova virada de século, aos nossos olhos cansados da violência da modernização excludente, a vida de menina de Helena, personagem, reconstruída por Helena, cineasta, surge como um mundo do tamanho das relações humanas, imperfeito e injusto, é certo, mas também certamente aberto e passível de ser melhorado. Se na empobrecida Diamantina esta janela esteve um dia aberta, quem sabe possamos construir outra, no muro com cercas elétricas de nossas atuais lavras mortas.

    3  15/04/2007  Nota: Não vi  Enviado por: Nina Chaves
    Infelizmente ainda não assisti ao filme. Não veio para os cinema daqui da minha cidade. Estou procurando informações de onde alugar o filme. Mas o livro, eu sei de cor... é simplesmente lindo... eu amo o livro de Helena e que vontade tenho de me corresponder com algum membro de sua família. Estive em Diamantina com o livro, a procura de algum lugar onde minha predileta Helena poderia ter ido. Só consegui saber que Háuma senhora de nome dona Auxiliadora, que parece ter ganhado da própria Helena um livro com dedicatória, mas não consegui nada... será que não se consegue ver fotos originais, da família de helena? E um museu em sua homenagem? Mesmo que seja só uma sala com algo que foi de helena... que vontade de ter conhecido Helena! Nota 1000.

    4  04/06/2007  Nota: Ótimo  Enviado por: Carol
    O filme é incrível! A história é linda!

    5  06/08/2007  Nota: Ótimo  Enviado por: Nania Chaves
    O livro de Helena é simplesmente 1000! Mas aqui em Minas ainda não conseguimos comprar o filme, gostaria de saber onde posso comprar, eu e minha mãe vivemos loucas por causa do livro que é lindo e com tanta desejo de ver o filme.

    6  26/08/2007  Nota: Ótimo  Enviado por: Andrea Mota
    Simplesmente maravilhoso! Acabei de comenta em um blog a respeito! Eu assisti o filme amei, amei! Pretendo ler o livro! Amo Mg sem conhecer, apenas a conheço pelos olhos de pessoas que viveram lá e a amaram... me fizeram amá-la pra sempre! Quando menina li um livro chamado a ladeira da saudade... ali entendi que em vidas passadas eu vivi lá, não tenho dúvida a esse respeito e não poderei morrer sem conhecê-la... Um grande bj a todos os mineiros e aos que a amam como eu...

    7  01/09/2007  Nota: Ótimo  Enviado por: Maria Helena
    Nota mil para esse filme, assisti no canal Brasil do Sky e amei.

    8  14/09/2007  Nota: Não vi  Enviado por: Maria
    Ainda não tive a sorte de ver o filme, mas o livro.... amei desde a primeira pagina. Gostaria de ter conhecido Helena Morley (Alice Dayrell Caldeira Brant).

    9  14/10/2007  Nota: Regular  Enviado por: Carolina Bastos
    Como filme em si, é lindo, a fotografia é belíssima e Ludmila Dayer arrebenta como Helena Morley. Assim que o DVD sair para vender nas lojas, vou comprar. Mas como adaptação do diário da autora deixou MUITO a desejar. Vejamos alguns pontos:
    1 - No filme, a irmã de Helena, Luizinha, é apresentada como uma menininha de pouco mais de sete ou oito anos de idade, quando no livro já tinha quase 12.
    2 - Helena também tinha um irmãozinho menor de uns quatro ou cinco anos, João, apelidado de Nhonhô. Que foi feito dele no filme? Ele simplesmente não aparece!
    3 - A negrinha que era amiga de Helena não se chamava Arinda, mas sim, Cesarina. Arinda era uma personagem secundária que aparece em apenas uma página do livro. Fiquei sem entender a mudança de nome. Será que é não tirarem sarro com a palavra “cesariana”? 4 – Também, Bela, aquela moça, criada da avó de Helena, que se casou durante o filme e que morreu envenenada por um rival do marido, não era negra. Era mulata, quase branca. O livro deixa isso bem claro. Vejam o trecho:
    “Vou escrever aqui o que aconteceu hoje na Chácara de vovó e que é muito triste. As negras da Chácara do tempo do cativeiro são todas pretas, mas não sei por que saiu uma branca e bonita. Chama-se Florisbela, mas nós a tratamos de Bela. Ela casou com um negro que faz até tristeza. No dia do casamento houve uma mesa de doces e fazia pena ver Bela sentada perto do noivo, coitada. Marciano é o negro mais estimado da Chácara. Aprendeu o ofício de ferreiro e entra na sala para cumprimentar vovó e minhas tias. Mesmo assim eu não queria que Bela casasse com ele. Ela é tão bonitinha! Parece até uma rosa-camélia, clara, corada e com uns dentes lindos. No dia do casamento meu pai disse: “É um brilhante no focinho de um porco”. Todo mundo teve pena. Mas ela quis e vovó diz que gostou porque Marciano é muito bom e trabalhador.”
    Olhem, não vai nisso nenhuma falta de respeito ou racismo, mas colocar uma personagem negra no lugar de uma que é clara, só para bancar o politicamente correto, é o fim! Detestei essa parte do filme. A atriz que fez a Bela é linda, sim, mas francamente, viu... Que idiotice! Por quê fazer isso? É a mesma m**** que fizeram com a Mulher Gato da Halle Berry!
    5 – Também senti falta de Fifina, uma mulher que vivia de déu em déu, de casa em casa, comendo, um dia na casa de um, outro dia na casa de outro, um verdadeiro trambolho. Não trabalhava, só queria vida mansa. Em suas andanças acabou por ficar na chácara da avó de Helena, que por pura bondade de coração, deixou a preguiçosa ficar morando com eles.
    Leiam esse trecho:
    “Vovó é a criatura melhor do mundo. Não sei se no caso dela eu agüentaria Fifina como ela agüenta. Mamãe conta que Fifina teve dinheiro, mas inventou casar com um rapaz mais moço do que ela dez anos e ele pôs fora tudo quanto ela tinha e sumiu, deixando-a só com um conto de réis. Ela pôs o dinheiro na mão de Senhor Bispo a juros e ia vivendo com trabalhinhos que fazia, cerzindo meias, remendando roupas na casa de uns e de outros, pois só pagava um quartinho e uma cozinha. Seu Leivas lhe prometeu pagar juros dobrados, e ela tomou o dinheiro de Senhor Bispo e pôs na mão dele. Mas até hoje não viu n um real dos juros nem tem esperança de ver mais o dinheiro, porque Seu Leivas deve a todo o mundo e não tem donde tirar. Além disso, quando ela vai jantar na casa dele ainda leva pito na mesa, porque foi fazer lá o que ela faz na Chácara de vovó. Ela forra o prato com feijão e farinha e põe por cima arroz, carne e o mais que há. Come as coisas de que gosta mais e deixa o feijão no prato. Ela contou que fez isso na casa de Seu Leivas e ele lhe disse que não fizesse outra vez, que ele não gostava daquilo; que a comida ficando na travessa, a cozinheira aproveitava, e ficando no prato ia jogada fora. Só vovó é que agüenta tudo. Fifina tinha seu quarto e ia passando cada dia numa casa, mas aconteceu que um dia ela estava na Chácara numa noite de tempestade, e Iaiá mandou lhe fazer uma cama no seu quarto. Fifina gostou e não saiu até hoje. Agora nem passeia mais em casa de ninguém. Passa uma vidinha de ouro. Joga bisca no quarto com Iaiá o dia inteiro e é muito exigente. Ela chamou Reginalda para encher um jarro de água, depois gritou de novo e mandou buscar outro, dizendo que aquele tinha cisco. Na Chácara há uma bica de água enorme, mesmo na porta da sala de jantar, e Fifina é tão preguiçosa que não é capaz de apanhar um jarro.”
    Sinceramente? Acho que essa era uma personagem que não poderia, de forma alguma ter sido excluída do filme. Seria um alívio cômico bem interessante, imagino. Helena, com seu jeito expansivo e ativo, poderia bater de frente com a preguiça da mulher, o que poderia ter rendido cenas ótimas.
    6 - Também fiquei sentindo falta de um monte de partes do livro que poderiam ter sido incluídas no filme sem prejuízo para este e que o tornariam muito mais divertido. Por exemplo, a parte em que Helena e Luizinha passam banha de untar cabelos em biscoitos de água e sal, pensando que a banha era manteiga, a parte em que a prima delas, Glorinha, filha de sua tia Agostinha e irmã de seus primos Lucas e Naninha (quatro outros personagens importantes no livro também inexplicavelmente excluídos da trama do filme) depois de se empanturrar de ameixas, cai da ameixeira bem em cima de um espinheiro e por fim outra em que Helena vai visitar amigos não muito limpos e vê duas sujeiras de galinha bem em cima da mesa. Uma moça que mora na casa, querendo disfarçar, joga farinha de mesa em cima dos sujos. A irmã dela chega na hora e diz “Que desmazelo da Jacinta deixar isso assim!” e com uma colher, pega a farinha com as sujeiras e tudo e recoloca na farinheira. Helena quase estoura na risada, mas se contém. Palavra que eu senti falta dessa cena! Outra parte que faz falta foi quando Helena foi á casa de uma outra amiga, que foi lhe servir leite com farinha de milho. Ao destampar a vasilha de leite, uma criada da casa deu um grito e uma risada. Puxou, pela calda, um ratinho estourando de cheio. Acho que daria uma cena bem engraçada, apesar de nojenta.
    5 – Também, não foi bem colocado o relacionamento de tia Madge com os sobrinhos, especialmente com Helena, a vítima predileta de suas enchessões de saco. Apenas aquela cena com as sombrinhas não mostrou isso bem. Tia Madge era um pé no saco da pobre Helena, sempre querendo que a sobrinha agisse assim, que fizesse assado, etc. Ela nunca deixava a menina ser ela mesma. Uma parte do livro que mostra bem isso é essa:
    “Segunda-feira, 17 de setembro
    Vou desabafar-me aqui do desapontamento, da raiva, da tristeza que sofri anteontem no casamento de prima Zinha. Ela é filha de meu tio rico e o casamento foi um acontecimento importante.
    Meu tio mandou vir do Rio de Janeiro os cortes de seda para as filhas. Todas as minhas primas se prepararam também com seus vestidos de seda. Mamãe comprou dois cortes de lãzinha cor-de-rosa para mim e Luisinha. Tia Madge tomou o meu para fazer e o de Luisinha foi para outra costureira.
    Tia Madge chegou do Rio há pouco tempo e desde a sua chegada não tive mais sossego. Tenho de andar de guarda-sol para não me queimar, que as meninas do Rio não têm sardas. Tenho de andar de cabelo solto porque as meninas do Rio andam de cabelo solto. É constantemente a mesma amolação: as meninas do Rio se vestem assim, se penteiam assim. Não me importaria que o vestido fosse feito como o das meninas do Rio. Só queria que fosse cor-de-rosa.
    Tia Madge levou o corte e não me chamou para provar. Fui à casa dela todos os dias como costumo, e nada de ver o vestido Uma vez tomei coragem e perguntei por ele. Ela respondeu: "Não se incomode. Você irá ao casamento mais bonita do que as outras".
    Anteontem era o casamento. Eu e Luisinha fomos à casa de Dudu nos pentear e saímos entusiasmadas com o penteado que nos punha umas mocinhas. Luisinha enfiou o vestido dela e fomos à casa de tia Madge; nada de ver o meu. Tia Madge disse: "Não precisa pressa, minha filha. Ainda é cedo". E pegando num pente disse: "Sente-se aqui. Você é uma menina e como quer se pentear como moça?". Molhou-me o cabelo, desmanchou-me os cachos e jogou meu cabelo nos ombros. Depois se levantou e trouxe o vestido: um vestido de lã azul-marinho simples e só com uma fila de ilhoses atrás, trançados de fita encarnada, abotoando.
    Acho hoje que o vestido é bonitinho; mas aquela hora eu tive um de meus engasgos de raiva e não pude conter as lágrimas. Sem poder dizer uma palavra, fui beijando a mão de minhas tias e correndo para a rua. Luisinha me seguia calada. Subi o Burgalhau, entrei na Cavalhada Nova e enfiei pela Rua Direita acima correndo e cega de raiva. Não enxergava nada. Vovó já está, há dias, na casa de tio Geraldo à espera do casamento. Fui entrando para o quarto dela e caí em cima da cama num pranto de choro que a assustou. Ela só dizia: "Que é que aconteceu, meu Deus!". Luisinha entrou e vovó lhe perguntou: O que é isto?". Luisinha respondeu: "É porque ela estava esperando o vestido cor-de-rosa e tia Madge a vestiu com este".
    Eu me desabafo é com vovó. Sinto que só ela me compreende. Vovó então começou com as coisas dela: "É uma luta minha mais de Madge com esta menina! Ela não compreende que nós só queremos o bem dela. Ela quer sempre ficar igual às feiosas em tudo". Nessa hora eu levantei a cabeça, ainda engasgada, e disse: "Eu sou a mais horrorosa, a mais magrela, a mais burra de todas, vovó, e tenho que ficar sempre inferior em tudo. Que inveja eu tenho de Luisinha, porque tia Madge não gosta dela!". Vovó disse: "Deixe de chorar à toa, minha tolinha. Algum dia você me dará razão e à sua madrinha, tão boa para você. Vá lavar o rosto e vamos para a sala. Todos já estão lá". Então eu lhe mostrei os cabelos e disse: "Eu hei de entrar na sala com este cabelo de doida do hospício, vovó?". Ela repetia: "Está lindo, menina". Eu disse: "Vovó, a senhora é que não sabe o que estou sofrendo. Eu estava esperando meu vestido cor-de-rosa com tanta alegria e hoje vestir de viúva, vendo as outras todas de cor-de-rosa, azul-claro e tudo? Não, vovó, isto foi maldade demais de tia Madge. Não quero mais que ela se interesse por mim não, vovó. Chega!".
    Só sinto é não poder brigar com tia Madge para ela me deixar em paz de uma vez”
    Preciso dizer mais alguma coisa? Essa mulher era um porre! Uma pedra no sapato da coitada da Helena! Ainda bem que eu não tenho nenhuma tia chata assim! Deus me livre e guarde!
    Tem outro trecho que eu não vou colocar aqui por ser muito longo (é o maior do livro), que mostra tia Madge tirando Helena da escola normal e a levando para dar aulas numa escola onde o que não faltava era menino levado. Isso quando Helena tinha meros quinze anos de idade. Ora, uma mocinha tão jovem assim, ainda mais uma que nunca dera aulas não poderia estar preparada para ensinar uma turma de verdadeiros BADERNEIROS, ao qual Helena, similar a Daniel na cova dos leões, foi simplesmente atirada pela tia, sem o mínimo preparo e sem a mínima destreza. Uma das professoras dessa escola diz bem da atitude de tia Madge.
    “A gente tem que ficar com pena, porque vê como ela sofre. Que maldade de Dona Madge! Tanta gente precisando dar escola e vai tirar Helena do estudo e mandar para este inferno.”
    Também faltaram mais cenas na escola e dos professores de Helena, só falaram do professor Teodomiro Braga, que era negro (olha aí novamente o politicamente correto, imperando nesse filme), sendo que no diário, ela fala muito mais em seu professor Sebastião do que dele. E o professor Sebastião, nem sequer aparece no filme.
    E por aí vai. Eu poderia citar mais uns vinte trechos que faltaram no filme. E é só por isso que não vai levar nota dez. Faltaram coisas demais. Coisas que não poderiam ter sido deixadas de lado sem comprometer a história do filme. Que ficou lindo como filme. Mas que nunca vai se comparar á obra original, que como soy acontecer, sempre é superior. Só que nesse caso, é INFINITAMENTE superior.

    10  31/10/2007  Nota: Ótimo  Enviado por: Regina Celia Moreira Rosa
    Não vi o filme, pois não sei no rio de Janeiro onde está passando, mas, o livro eu tenho há mais ou menos 37 anos, li e reli para os filhos. E o máximo! Ganhei o livro em 1964. Já comprei o 2: o primeiro tinha capa amarela, ainda. Amo este livro.

    11  29/11/2007  Nota: Ótimo  Enviado por: Ana Araújo
    Assisti hoje este filme pela TV Brasil e fiquei encantada com a história dessa mulher maravilhosa!

    12  29/01/2008  Nota: Ótimo  Enviado por: Alexandre Duarte
    Vale a pena ver.

    13  01/06/2008  Nota: Ótimo  Enviado por: Nágila
    O filme é simplesmente maravilhoso, assim como o livro. Parabéns aos diretores e atores.

    14  30/08/2008  Nota: Ótimo  Enviado por: Kau
    Muito bom o filme! Por mais que tenha ocorrido em outra época, não deixei de me identificar com Helena. Com a garra e a vontade de vencer. Fiquei curiosa para ler o livro.


    15  04/09/2008  Nota: Ótimo  Enviado por: Sarah Bebiano
    Um filme maravilhoso, que traz a essência da infância no séculos XIX e nos transporta ao Arraial do Tejuco, como a ajuda de Helena Morley.


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